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O método

Do mandato ao caixa virado

Turnaround falha por dois motivos: diagnóstico que demora demais e plano que ninguém executa. As seis etapas abaixo existem para fechar essas duas portas.

  1. 01

    Mandato e acesso

    Confidencialidade assinada, escopo definido e acesso direto a contabilidade, extrato, contrato de dívida e sistema de gestão. Sem acesso pleno, o diagnóstico vira opinião.

    Um sócio responsável nomeado no contrato, presente do primeiro ao último dia.

  2. 02

    Caixa de treze semanas

    A primeira entrega é sempre a mesma: quanto tempo a empresa tem. Recebimento, pagamento, dívida e sazonalidade, semana a semana, com os pontos de ruptura marcados.

    É o instrumento que passa a governar toda decisão do mandato.

  3. 03

    Onde o valor vaza

    Margem por produto, cliente e canal; ciclo financeiro; estoque parado; contrato desequilibrado; custo fixo desalinhado com o faturamento atual. A conta quase nunca está onde o dono imagina.

  4. 04

    Plano priorizado

    Iniciativas ordenadas por impacto em caixa e velocidade de execução, cada uma com dono, valor esperado e semana de entrega. O que não cabe nas próximas treze semanas fica para a fase dois.

    Plano apresentado ao acionista com o cenário de não fazer nada ao lado, para a comparação ser honesta.

  5. 05

    Execução acompanhada

    Presença semanal na empresa, comitê com pauta fixa e placar aberto. Iniciativa atrasada é reprogramada ou morta na semana seguinte, nunca arrastada em silêncio.

  6. 06

    Mesa de credores e saída

    Com plano em execução e número defensável, a renegociação muda de tom. Daí saem alongamento, capital novo, venda de ativo ou a devolução do bastão a uma gestão que voltou a funcionar.

Treze semanas: por que essa é a medida

Empresa em dificuldade costuma olhar o mês fechado e o resultado do exercício, que são as duas informações que chegam tarde demais para mudar alguma coisa. O fluxo de caixa de treze semanas é o instrumento clássico do turnaround porque cabe num trimestre, alcança o próximo vencimento relevante e ainda dá tempo de agir sobre o que aparecer nele.

Ele é reconstruído do zero, alimentado semanalmente e comparado com o realizado. A variação explicada linha a linha é o que transforma uma conversa de expectativa numa conversa de fato, com o acionista e também com o banco.

  1. Semana 1

    Fotografia do caixa e identificação do primeiro ponto de ruptura.

  2. Semana 3

    Diagnóstico entregue, com plano priorizado e cenário de inação ao lado.

  3. Semana 6

    Primeiras iniciativas de caixa entregues e mesa de credores organizada.

  4. Semana 13

    Caixa projetado versus realizado na mesa, e a decisão sobre a fase seguinte.

O que costumam perguntar antes da primeira conversa

A conta da espera é sempre maior que a do diagnóstico

Três meses de improviso custam mais que um mandato inteiro, e tiram da mesa as saídas que ainda estavam abertas.