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Situações

Treze semanas: a única projeção que uma empresa em crise consegue cumprir

Orçamento anual responde “quanto vamos faturar”. A pergunta da crise é outra: em que semana o dinheiro acaba. São perguntas diferentes, e só uma delas tem resposta útil sob pressão.

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Por que treze e não doze meses

Empresa em dificuldade costuma ter um orçamento anual, e ele não serve para nada nessa hora. O motivo não é a qualidade do orçamento, é o horizonte: ele fala de resultado, e empresa não quebra por prejuízo — quebra por falta de saldo no dia do pagamento.

Treze semanas é o horizonte em que três coisas coincidem.

  • O caixa ainda é previsível. Você sabe quem vai pagar, quando, e o que vence. Além disso, vira estimativa sobre estimativa.
  • A decisão ainda é reversível. Treze semanas dão tempo de renegociar dívida, cortar despesa, vender ativo, buscar sócio. Quatro semanas dão tempo apenas de escolher quem não receber.
  • Fecha com o calendário de quem cobra. É um trimestre: o ciclo de banco, de fornecedor e de obrigação fiscal.

O erro que anula a planilha inteira

Lançar por competência em vez de caixa. A data que vale é a do dinheiro, não a da nota.

A empresa fatura em março e lança março. Mas o cliente paga em maio, e o problema é maio. Regime de competência mostra a saúde do negócio; regime de caixa mostra se ele chega vivo até lá.

Vale para os dois lados: a folha entra na semana em que sai da conta, não no mês de competência; o imposto entra na semana do recolhimento. Parece óbvio escrito assim, e é o erro mais frequente — porque a contabilidade da empresa é competência, e a planilha nasce copiando dela.

O piso, que não é zero

Quase toda projeção acompanha o saldo e alerta quando ele fica negativo. Isso chega tarde. Empresa não trava quando o saldo chega a zero: trava quando não consegue mais pagar o que mantém a operação de pé — a folha da semana, o insumo crítico, o combustível da frota, o boleto que libera a mercadoria.

Definir esse número é a primeira decisão da projeção, e é decisão de gestão, não de planilha. Com ele na tabela, a resposta muda de figura: em vez de “o caixa fura na semana nove”, você descobre que “a operação começa a travar na semana seis”. Três semanas de diferença é a distância entre negociar e implorar.

O que a curva conta

  • A semana em que o caixa fura. Se ela cai dentro do horizonte, o prazo real para agir é menor que ele — porque qualquer solução leva semanas para produzir efeito.
  • A geração média por semana. Se for negativa, a operação consome caixa antes de pagar dívida. Renegociar dívida sozinho alivia o sintoma e a empresa volta ao mesmo ponto três meses depois.
  • O serviço da dívida no período. Se ele come a geração inteira, o problema é de estrutura de capital, não de esforço operacional — e cortar custo, sozinho, não fecha a conta.
  • O peso da dívida sobre as entradas. Acima de um quinto do que entra, o caminho costuma ser reperfilar a dívida, não cortar mais.

A disciplina que faz a diferença

A planilha vale pouco preenchida uma vez. O que a torna instrumento de gestão é a rotina.

  • Mesmo dia, toda semana, mesma pessoa. Projeção que depende de quem tem tempo não sobrevive ao terceiro mês.
  • Rola uma semana e acrescenta uma. A que passou sai, uma nova entra no fim. O horizonte é sempre treze.
  • Compare o previsto com o realizado. É a parte que quase todo mundo pula, e a mais valiosa.

Depois de três semanas você não está mais medindo o caixa: está medindo a capacidade da empresa de prever o próprio caixa. Quem erra 30% na projeção de sete dias tem um problema de informação, e ele é anterior ao problema financeiro.

Em muitos diagnósticos essa é a primeira descoberta relevante: não é que falte dinheiro, é que ninguém sabia que ia faltar.

Os cinco esquecimentos clássicos

  1. 01Décimo terceiro e férias. Não aparecem no mês típico e derrubam a semana em que caem.
  2. 02Impostos sobre a folha, separados da folha — competências diferentes, semanas diferentes.
  3. 03Parcelamentos fiscais, que saem por débito automático e ninguém lança.
  4. 04Recebimento otimista. O cliente que “sempre paga em 30” pagou em 47 nas últimas três vezes. Use o histórico, não o contrato.
  5. 05Linhas líquidas. Antecipação de recebível lançada pelo valor líquido esconde o custo real do dinheiro. Entrada bruta e custo separado.

O que vem na planilha

Quatro abas: premissas, fluxo semanal, mapa da dívida e painel. A aba de dívida tem uma linha por contrato e calcula a taxa média ponderada pelo saldo — que é o número que se leva à mesa de negociação com o banco, não a maior nem a menor. Muita gente descobre ali quanto custa a própria dívida.

Não há nada para preencher além do que já é seu, e nada é enviado a lugar nenhum. Se, depois de preencher, a resposta assustar, é um sinal — e sinal com data é melhor que susto sem prazo.

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